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FREI LUÍS DE SOUSA - Personagens

 

MARIA

 

* Nobre (sangue dos Vilhenas e dos Sousas) – I, 2;
* Bela (I, 2);
* Precocemente desenvolvida, física, psicológica e intelectualmente. É, podemos dizer, uma idealização romântica (I, 2,3 e 6);
* Débil, fisicamente (está tuberculosa);
* Romântica até à medula, porque:

-  acredita em sonhos, em visões e nas tradições populares;
- gosta de ler romances;
- entusiasma-se com o patriotismo;

- nutre o culto de Camões e do sebastianismo (II, 1);
- tem uma poderosa intuição e dons de profecia (I,4; II, 3; III, 12);

- surge como heroína e vítima do destino;
- é a mulher = anjo bom;
- é patética na cena final do drama.
* Encarnação da Menina e Moça (II, 1)
* Símbolo do presente, em oposição às outras personagens que ecoam o passado ameaçador;
* Imagem de todos os leitores, decifradores de símbolos e sinais (diferentemente das outras personagens, Maria não conhece a história passada, mas lê-a nos gestos, nos olhares e nas falas dos outros.
 

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Maria é a grande vítima do drama trágico Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett. Tendo sido uma criança muito precoce, é uma adolescente fantasista, sebastianista (por influência de Telmo, o escudeiro), prevendo o regresso de D. João de Portugal, que desaparecera em Alcácer Quibir. Pensa muito, e Telmo alimenta nela essa curiosidade, considerada imprópria da sua idade e até da sua fraca saúde. Tal como Telmo, Maria preocupa muito a sua mãe, uma vez que representa o fruto do pecado, do seu casamento ilegítimo com Manuel de Sousa Coutinho.

 

É a figuração do presente ameaçado pela intromissão do passado. Revolucionária e sentimental, quer emendar o mundo, insurgindo-se contra as injustiças sociais.

Herdou de seu pai um grande patriotismo: «Sim, sim, mostrai-lhes quem sois e o que vale um português verdadeiro».

Garrett teve o cuidado de caracterizar Maria como uma criança doente, de modo a transmitir a fragilidade coerente à sua função neste drama. A curiosidade de Maria é intensa. O retrato de D. João intriga-a. Ela sabe, «dum saber cá de dentro», que existe uma relação entre essa figura e a pessoa de seu pai. Pressente o que se passa, associa os acontecimentos. À medida que a doença vai progredindo (Maria é tísica ou tuberculosa), a verdade vai-se acelerando no seu espírito.
Maria é uma figura romântica, até pelos seus sonhos terríveis, pelas suas visões, pelo seu saber interior. A morte da pobre adolescente é bastante violenta, constituindo uma das cenas mais dramáticas da peça, senão mesmo a mais dramática. A intensidade das emoções, que nesse momento vive, leva-a a exprimir-se com palavras de uma grande profundidade psicológica.

Nela, tudo é revolta. Revolta contra o mundo, contra Deus, revolta contra a sociedade. O autor, seguindo, nesta sua obra, a estética da tragédia antiga, concentrou em Maria, e mais propriamente no seu fim trágico, o efeito de catarse pelo terror e pela piedade.

 

Joaquim Matias da Silva

 

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