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FREI LUÍS DE SOUSA - Anotações

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

«A Incredulidade popular sobre a morte de el-rei D. Sebastião começou logo com as primeiras notícias que chegaram ao reino da derrota de Alcácer Quibir. Querem alguns que as esperanças do povo fossem adrede sustentadas pelos que mais   haviam    instigado    aquela

triste   jornada, para evitarem a responsabilidade de seus fatais conselhos. O facto é que, no público, nunca se acreditou bem na morte de el-rei. E nenhum, de tantos que escaparam, nenhum disse nunca que o vira morrer. No epitáfio de Belém, pôs-se a ressalva: «si vera est fama». Os vários impostores que em diversas partes aparecem, tomando o nome de D. Sebastião, em vez de destruírem, confirmaram as suspeitas nacionais. O verdadeiro ou falso Sebastião, que foi entregue em Veneza e atormentado em Nápoles, deixou dúvidas profundas nos ânimos mais seguros.
Menos bastava para dar cor e crença à multidão de fábulas romanescas e poéticas, de que se encheu logo Portugal e que duraram até os nossos dias. O sebastianismo é outro carácter popular que ainda não foi tratado e que, em hábeis mãos, deve dar riquíssimos quadros de costumes nacionais. 0 romancista e o poeta, o filólogo e o filósofo acharão muito que lavrar neste fertilíssimo veio da grande mina de nossas crenças e superstições antigas». (A. Garrett).
 

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© Joaquim Matias 2007