A
VISCONDESSA DA LUZ , A INSPIRADORA DE FOLHAS CAÍDAS
Apaixonado por Rosa Montufar Infante, a
Viscondessa da Luz, Garrett não se coíbe de
revelar em poemas de rara sensualidade os seus
amores. Não é por acaso que as palavras
luz
e
rosa
são uma constante ao longo das composições de
Folhas Caídas. Vejamos o que diz a este
respeito Jacinto do Prado Coelho, in Ao
Contrário de Penélope:
"Amo-te
como nunca ninguém amou neste mundo, adoro-te,
não sei nem posso ter coração para outra coisa.
Tu és o meu primeiro, o meu último amor."
Assim
escrevia Garrett à baronesa da Luz, teria ele
cinquenta e dois anos e ela trinta e dois. A
amante Rosa Montufar Infante,
andaluza, célebre pela
sua rara
Pintura de Goya.
beleza, era filha dos marqueses de Silva Alegre e casara
em 1837 com um
oficial de engenharia, Velez Barreiros, que chegou a
brigadeiro e desempenhou importantes cargos, entre eles
o de ministro dos Estrangeiros.
A ligação amorosa começou em 1846 e prolongou-se até 53
ou 54, ano da morte de Garrett.
O passo acima transcrito pertence a uma carta que,
provavelmente, Garrett dirigiu a Rosa em 1851. Em 53, a
publicação das Folhas Caídas foi um êxito
alimentado pelo escândalo, pois todos relacionaram os
fogosos poemas de amor inclusos na colectânea com a
ligação ilegítima do autor.
"Deixa-o
passar, porque ele vai onde vós não ides; vai, ainda que
zombeis dele, que o calunieis, que o assassineis."